António Guterres referiu, numa entrevista, que o sector financeiro recebe mais atenção que o económico, que por sua vez se sobrepõe às preocupações sociais e ambientais. Efectivamente, as políticas desenvolvidas pelos últimos governos constitucionais facilitaram a actividade das empresas cotadas na bolsa, que se traduz na formação de campeões nacionais, prontos a competir lá fora, num mundo cada vez mais globalizado.
Esta aposta nos grandes grupos económicos, de interesse estratégico nacional, deveria incentivar o investimento português no estrangeiro. Mas que carteira de investimentos poderia fazer um país cada vez menos agrícola e industrial? Essencialmente investiu-se na banca e no imobiliário. Até a(s) corticeira(s) apostaram nestas áreas, que cresciam mais rapidamente que o sector agro-florestal. E foi então que o capital se concentrou cada vez menos em áreas menos lucrativas.
Com a aposta no imobiliário vieram as políticas do betão, que eucalitpizaram quaisquer outras formas de desenvolvimento. Exemplo disso foi aposta na educação, que se traduziu em escolas de luxo, sem que os indicadores melhorassem bastante. Do mesmo modo, para ligar duas vilas com uma auto-estrada, evocou-se invariavelmente o argumento da solidariedade regional, ou da ausência de custos para o utilizador. Vinha assim a promessa de desenvolvimento local, ainda que as auto-estradas drenassem a população e o emprego para lugares mais promissores.
Com ou sem auto-estradas, as regiões do interior destilaram as oportunidades de desenvolvimento, pois faltava emprego e gente. Nas aldeias, esvaziavam-se as igrejas, que fechavam as portas ao culto, enquanto as luzes das casas se apagavam, uma por uma, e o mato crescia sem controlo. Mas pouco faltava para a derradeira desgraça: a constatação de que o país se tinha endividado no olho da tempestade financeira internacional.
Entretanto, as grandes empresas começaram a ter cada vez mais capital estrangeiro, porque as regras são iguais para todos. Mesmo assim, estranha-se a crescente complexidade das estruturas accionistas: este é um poder sem rosto. E é por ordem do Oculto que este governo privatizou, a bem ou a mal, empresas públicas que davam lucro.
Resta agora a benevolência dos credores do Estado, que a constituição diz serem cidadãos tão livres como todos os outros. Os bancos existem para ser sempre salvos, não importa como é que naufragam, porque um banco nunca pode falir. As casas podem ficar anos por vender enquanto pagam impostos mais baixos, ou nulos, porque o negócio imobiliário contiua a ser estratégico para o país. E num sector financeiro desprovido de moralidade, como dizia o dono do Banco Espirito Santo, só o Estado e os seus contribuintes são chamados a honrar os seus compromissos.
Esta aposta nos grandes grupos económicos, de interesse estratégico nacional, deveria incentivar o investimento português no estrangeiro. Mas que carteira de investimentos poderia fazer um país cada vez menos agrícola e industrial? Essencialmente investiu-se na banca e no imobiliário. Até a(s) corticeira(s) apostaram nestas áreas, que cresciam mais rapidamente que o sector agro-florestal. E foi então que o capital se concentrou cada vez menos em áreas menos lucrativas.
Com a aposta no imobiliário vieram as políticas do betão, que eucalitpizaram quaisquer outras formas de desenvolvimento. Exemplo disso foi aposta na educação, que se traduziu em escolas de luxo, sem que os indicadores melhorassem bastante. Do mesmo modo, para ligar duas vilas com uma auto-estrada, evocou-se invariavelmente o argumento da solidariedade regional, ou da ausência de custos para o utilizador. Vinha assim a promessa de desenvolvimento local, ainda que as auto-estradas drenassem a população e o emprego para lugares mais promissores.
Com ou sem auto-estradas, as regiões do interior destilaram as oportunidades de desenvolvimento, pois faltava emprego e gente. Nas aldeias, esvaziavam-se as igrejas, que fechavam as portas ao culto, enquanto as luzes das casas se apagavam, uma por uma, e o mato crescia sem controlo. Mas pouco faltava para a derradeira desgraça: a constatação de que o país se tinha endividado no olho da tempestade financeira internacional.
Entretanto, as grandes empresas começaram a ter cada vez mais capital estrangeiro, porque as regras são iguais para todos. Mesmo assim, estranha-se a crescente complexidade das estruturas accionistas: este é um poder sem rosto. E é por ordem do Oculto que este governo privatizou, a bem ou a mal, empresas públicas que davam lucro.
Resta agora a benevolência dos credores do Estado, que a constituição diz serem cidadãos tão livres como todos os outros. Os bancos existem para ser sempre salvos, não importa como é que naufragam, porque um banco nunca pode falir. As casas podem ficar anos por vender enquanto pagam impostos mais baixos, ou nulos, porque o negócio imobiliário contiua a ser estratégico para o país. E num sector financeiro desprovido de moralidade, como dizia o dono do Banco Espirito Santo, só o Estado e os seus contribuintes são chamados a honrar os seus compromissos.
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