O convento de São Pedro de Alcântara, junto do famoso miradouro com o mesmo nome, é dos poucos conventos de Lisboa que mantém o interior quase intacto. Contudo, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) anunciou, publicamente, um projeto que pode desfigurar o interior e destruír irremediavelmente uma coleção única de azulejos.
Fundado em 1672, no antigo palácio dos Condes de Avintes, o convento mantém elementos maneiristas, apesar dos efeitos do terramoto de 1755. Depois da extinção das ordens religiosas, em 1834, muitos conventos da capital sofreram abandono e vandalismo. Outros foram descaracterizados enquanto albergaram hospitais (como na Colina de Santana), quartéis ou fábricas.
Este convento, porém, foi preservado pela Santa Casa da Misericórdia, que nele instalou um orfanato. Segundo o vídeo do projeto que a instituição pública divulgou online, o convento será alvo de uma intervenção profunda, que envolve a remoção gratuita de azulejos, a substituição de mobília antiga, a pintura avulsa de elementos em madeira e todo o espaço conventual parecerá lixiviado e desenquadrado. Perante tal escândalo, elementos como os azulejos podem desaparecer sem deixar rasto, depois de terem rendido mihões que lesam os contribuintes.
O mote do projeto é adaptar o espaço a “novos usos”, de forma a rentabilizar o convento e revitalizar o Bairro Alto com novos espaços, tais como restaurantes, lojas e até uma biblioteca. Poderia então o edifício histórico albergar todas estas atividades sem recurso a obras ostensivas e profanadoras?
Dado valor patrimonial do convento, talvez Pedro Santana Lopes, Provedor da SCML e mentor do projeto, considere recuar na extensão das obras e definir o destino a dar aos valiosos azulejos que ainda cobrem paredes do convento. De outra forma, a perda será irreparável e irá manchar a imagem da instituição.
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