Foi viral o escândalo do restauro da pintura de cristo, feito pela amadora Cecília Jimenez, no país vizinho. Mas por cá, há outros atentados contra o património, alguns dos quais são perpetrados à vista de todos e com financiamento europeu.
Não muito longe do limite do concelho de Lisboa, fica a Quinta dos Condes da Lousã. Trata-se de um edifício que, apesar da escala relativamente reduzida, continha uma das mais relevantes colecções de azulejo em Portugal. Pelo menos assim o dizem várias páginas da internet, incluíndo a da própria Câmara Municipal da Amadora.
Porém, quem chega ao sítio do alegado palácio, difilmente reconhece as pedras nuas. As paredes já não sustêm os telhados nem os tectos pintados; os jardins foram transformados numa estranha praceta com um parque infantil, e dos azulejos, não restam nem vestígios. O que aconteceu?
Aparentemente, a Câmara Municipal da Amadora conseguiu financiamento europeu para recuperar o imóvel, do qual é proprietária. O concurso para as obras foi lançado em 2007, mas em 2009, o empreiteiro interrompeu os trabalhos. Desde então, todos os azulejos foram removidos, assim como os restantes elementos construtivos. Apenas ficaram as paredes de alvenaria, que agora, sem a protecção do telhado, degradam-se sob as intempéries.
Apesar do impasse, os jardins do palácio, requalificados segundo os preceitos da câmara, foram concluídos em 2010. Esta obra beneficiou a população local, uma vez que inclui um parque infantil, pérgolas de madeira e novos bancos de jardim. Trata-se de uma intervenção que modernizou o espaço, visto que pouco ou nada resta do anterior jardim do palácio. Até a fonte barroca foi actualizada.
Nos anos de abandono, o palacete, já desprovido de azulejos, foi classificado Imóvel de Interesse Público. E a Direcção-Geral do Património pediu esclarecimentos à Câmara Municipal da Amadora, num ofício. Consta que as obras não prosseguiram por incapacidade do empreiteiro, e os azulejos estão armazenados em estaleiros do município. Mas que garantias foram dadas quando ao seu destino? E o que aconteceu à verba de recuperação do palácio?
Certamente que a Câmara Municipal da Amadora pretende preservar um dos raros edifícios históricos do concelho, e salvaguardar um dos pontos altos do património azulejar nacional.
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