Não é todos os dias que um líder da oposição convida um homem do partido do governo para ocupar o governo. António Costa puxa Rui Rio, os dois sorriem, vão a conferências juntos e repetem um discurso que, no mínimo, comprova as sólidas afinidadades ideológicas que comungam. De tal modo que, um pouco por toda a imprensa, sucedem-se elogios bajulados, promessas de um governo robusto, capaz de fazer frente à volatilidade dos mercados, ao clientelismo partidário, à Merkel, aos banqueiros irresponsáveis e enxutar de vez a malfadada Troika.
Em suma, o governo que se desenha é um governo de Salvação Nacional, o Único e o Escolhido, a condição necessária para defender o superior e sempre imaculado Interesse da Nação.
É certo que um governo de Bloco Central não é nenhuma novidade. Em tempos houve um que durou menos que o previsto, porque a instabilidade política tornou-se insustentável. Mas os tempos agora são outros. Politicamente, a diferença entre os dois maiores partidos esfumou-se. A provar esta gradual aproximação estão as inúmeras iniciativas parlamentares aprovadas por abstenção mútua e as figuras que trocaram o apoio de um partido pelo outro. Convém ainda lembrar que a agenda da Troika não surgiu sem que o país se afundasse em dívida. É, aliás, na estranha alternância entre o despesismo e a austeridade que está o trunfo das privatizações e o dinheiro fácil dos contribuintes.
Se a crise monopoliza o discurso político há, pelo menos, uma década, está já lançado o mote para o novo governo. Chamam-lhe Pacto de Regime e, a avaliar por várias manchetes, durará dez anos. Esta década mágica surge, entre entrevistas a figuras de vários partidos e questionários feitos a empresários, como sendo uma imperiosa necessidade. No entanto, a magia do número redondo não deixa de ser intrigante. Dez anos corresponde a dois Governos Constitucionais e meio. Não será mais fácil, em democracia, promover um acordo de regime durante oito ou mesmo doze anos?
Nos tempos conturbados que profetizam, não parece ser difícil instaurar o tal Pacto de Regime. A opinião pública está adormecida entre um liberalismo aparentemente consensual e um socialismo e uma social-democracia estilhaçada, senão pulverizada. No parlamento, a renovada maioria ganha vontade própria, até porque a crise tudo legitima. E no fim da década da estabilidade governativa, pode mesmo chegar-se à conclusão de que os dez anos de Pacto de Regime foram insuficientes.
Tampouco será difícil imaginar um consenso cada vez mais alargado. A presença de António Costa no congresso do Partido Livre e a ida de Rui Tavares à Universidade de Verão do PSD pode indiciar isso mesmo. Por mais livres que sejam as urnas, as escolhas parecem cada vez mais semelhantes.
Em suma, o governo que se desenha é um governo de Salvação Nacional, o Único e o Escolhido, a condição necessária para defender o superior e sempre imaculado Interesse da Nação.
É certo que um governo de Bloco Central não é nenhuma novidade. Em tempos houve um que durou menos que o previsto, porque a instabilidade política tornou-se insustentável. Mas os tempos agora são outros. Politicamente, a diferença entre os dois maiores partidos esfumou-se. A provar esta gradual aproximação estão as inúmeras iniciativas parlamentares aprovadas por abstenção mútua e as figuras que trocaram o apoio de um partido pelo outro. Convém ainda lembrar que a agenda da Troika não surgiu sem que o país se afundasse em dívida. É, aliás, na estranha alternância entre o despesismo e a austeridade que está o trunfo das privatizações e o dinheiro fácil dos contribuintes.
Se a crise monopoliza o discurso político há, pelo menos, uma década, está já lançado o mote para o novo governo. Chamam-lhe Pacto de Regime e, a avaliar por várias manchetes, durará dez anos. Esta década mágica surge, entre entrevistas a figuras de vários partidos e questionários feitos a empresários, como sendo uma imperiosa necessidade. No entanto, a magia do número redondo não deixa de ser intrigante. Dez anos corresponde a dois Governos Constitucionais e meio. Não será mais fácil, em democracia, promover um acordo de regime durante oito ou mesmo doze anos?
Nos tempos conturbados que profetizam, não parece ser difícil instaurar o tal Pacto de Regime. A opinião pública está adormecida entre um liberalismo aparentemente consensual e um socialismo e uma social-democracia estilhaçada, senão pulverizada. No parlamento, a renovada maioria ganha vontade própria, até porque a crise tudo legitima. E no fim da década da estabilidade governativa, pode mesmo chegar-se à conclusão de que os dez anos de Pacto de Regime foram insuficientes.
Tampouco será difícil imaginar um consenso cada vez mais alargado. A presença de António Costa no congresso do Partido Livre e a ida de Rui Tavares à Universidade de Verão do PSD pode indiciar isso mesmo. Por mais livres que sejam as urnas, as escolhas parecem cada vez mais semelhantes.
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