Quando a economia gripa, profetizam-se os mais incríveis planos de salvação. Entre investimentos públicos em PPP ou a liberalização do mercado do trabalho, os maiores grupos económicos encontram, salvo honrosas excepções, o seu caminho na senda do crescimento. E quando este mercado pequeno à beira-mar plantado fica aquém da ambição descobridora, o capital avança para novas paragens d’aquém e d’além mar.
A retoma da economia que os governos preconizam não se limita só aos grandes campeões nacionais. Há estímulos para Pequenas e Médias Empresas, há financiamento mais ou menos abundante, há programas de modernização e, claro, há apoios ao empreendorismo. Mas o que é o empreendorismo?
Se tivermos em conta a definição do dicionário, o verbo empreender vem do latim imprendere, que corresponde à iniciativa para realizar algo. A palavra é, todavia, utilizada com conotações ideológicas e ajusta-se aos desígnios de cada época. Conquistar e arrasar uma cidade é um acto colectivo tão empreendedor como a construção de um hospital para cuidar dos estropiados. Assim, o empreendorismo não deve corresponder a um chavão, uma vez que o benefício para a sociedade pode ser duvidoso.
Na sua mais recente apropriação, o empreendorismo é a promessa de realização individual na criação de novos projectos empresariais. E a utilização da palavra toma tais dimensões que a economia parece estar realmente a recuperar. Nesse gigantesco laboratório de retórica fina, o verbo capacitar tem uma presença constante enquanto não passa de moda. E as ideias ganham a forma de coisas diferentes, mais ou menos úteis, mas que geram know-how e valor acrescentado. À nova figura do Secretário de Estado do Empreendorismo somam-se os cursos de Empreendorismo, as conferências de Empreendorismo, as Encubadoras de Empresas, as Start-ups, onde se criam verdadeiros empreendedores capazes de empreender, de vestir e falar estrangeirismos como qualquer indivíduo bem sucedido e, claro está, empreender inovando, olhando para aquele nicho.
Depois da farsa, vem a tragédia. Os novos empreendedores engomados confrontam-se com a crueldade dos mercados, onde dominam as feras. Tentam lançar o último Grito do Ipiranga empreendedor mas são colhidos de surpresa. Com ideias de nicho de mercado, é expectável que não consigam destronar as feras, porque o mercado só pode ser livre nos livros de teoria económica da Escola de Chicago. Porque as grandes superfícies comerciais são sempre as mesmas e as pessoas para (sobre)viver precisam mais de comida e roupa do que das apps revolucionárias.
Ideias novas, precisam-se, dizem os especialistas, ideólogos e imagológos. É preciso impelir os empreendedores, tal como os navegantes dos Descobrimentos, para descobrir terras novas. Mas agora, as ideias que forem bem sucedidas são apopriadas pelas grandes empresas. Já as ideias de nicho, embora possam pontualmente encontrar um grande sucesso, dependem da resiliência do nicho de mercado em questão.
Em suma, resta aos pequenos empreendedores inovar constantemente e ter pavor à tradição e a qualquer forma de imobilismo. Entretanto, os negócios com procura garantida tendem a estar destinados aos seus Senhores. Assim é a livre concorrência e a igualdade de oportunidades.
A retoma da economia que os governos preconizam não se limita só aos grandes campeões nacionais. Há estímulos para Pequenas e Médias Empresas, há financiamento mais ou menos abundante, há programas de modernização e, claro, há apoios ao empreendorismo. Mas o que é o empreendorismo?
Se tivermos em conta a definição do dicionário, o verbo empreender vem do latim imprendere, que corresponde à iniciativa para realizar algo. A palavra é, todavia, utilizada com conotações ideológicas e ajusta-se aos desígnios de cada época. Conquistar e arrasar uma cidade é um acto colectivo tão empreendedor como a construção de um hospital para cuidar dos estropiados. Assim, o empreendorismo não deve corresponder a um chavão, uma vez que o benefício para a sociedade pode ser duvidoso.
Na sua mais recente apropriação, o empreendorismo é a promessa de realização individual na criação de novos projectos empresariais. E a utilização da palavra toma tais dimensões que a economia parece estar realmente a recuperar. Nesse gigantesco laboratório de retórica fina, o verbo capacitar tem uma presença constante enquanto não passa de moda. E as ideias ganham a forma de coisas diferentes, mais ou menos úteis, mas que geram know-how e valor acrescentado. À nova figura do Secretário de Estado do Empreendorismo somam-se os cursos de Empreendorismo, as conferências de Empreendorismo, as Encubadoras de Empresas, as Start-ups, onde se criam verdadeiros empreendedores capazes de empreender, de vestir e falar estrangeirismos como qualquer indivíduo bem sucedido e, claro está, empreender inovando, olhando para aquele nicho.
Depois da farsa, vem a tragédia. Os novos empreendedores engomados confrontam-se com a crueldade dos mercados, onde dominam as feras. Tentam lançar o último Grito do Ipiranga empreendedor mas são colhidos de surpresa. Com ideias de nicho de mercado, é expectável que não consigam destronar as feras, porque o mercado só pode ser livre nos livros de teoria económica da Escola de Chicago. Porque as grandes superfícies comerciais são sempre as mesmas e as pessoas para (sobre)viver precisam mais de comida e roupa do que das apps revolucionárias.
Ideias novas, precisam-se, dizem os especialistas, ideólogos e imagológos. É preciso impelir os empreendedores, tal como os navegantes dos Descobrimentos, para descobrir terras novas. Mas agora, as ideias que forem bem sucedidas são apopriadas pelas grandes empresas. Já as ideias de nicho, embora possam pontualmente encontrar um grande sucesso, dependem da resiliência do nicho de mercado em questão.
Em suma, resta aos pequenos empreendedores inovar constantemente e ter pavor à tradição e a qualquer forma de imobilismo. Entretanto, os negócios com procura garantida tendem a estar destinados aos seus Senhores. Assim é a livre concorrência e a igualdade de oportunidades.
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