O actual governo já deu provas de que está na vanguarda das práticas de boa governança. As medidas tomadas em Portugal são tão visionárias que merecem elogios de várias instituições internacionais.
Para começar, foi finalmente instituído por todos os ministros do executivo o hábito de usar um pin com a bandeira de Portugal na lapela. Estes PIN são o garante dos interesses nacionais quando, apesar do lixo tóxico gerado por minas licenciadas, o valor das exportações aumenta significativamente, num excipiente que parece ser inevitável na difícil fase que o país atravessa.
Como aumento das exportações, destacam-se o triunfo do empreendorismo ideológico e o dinamismo da refinaria de Sines. É também relevante o desempenho mão-de-obra qualificada que, pela primeira vez, conta com o apoio anímico do governo para ser bem-sucedida no estrangeiro. Passos Coelho já disse várias vezes publicamente, alto e bom som, que quem não tem emprego, designadamente professores, pode olhar para outros países. É a tão esperada internacionalização da economia que está para vir!
Portugal tem, finalmente, a ínclita geração, aquela que provavelmente tem os maiores índices de educação que o país alguma vez teve. E o ministro da educação, com a bandeira portuguesa na lapela, está empenhado em qualificá-la ainda mais. Para o conseguir, mantém em funcionamento as melhores escolas do Litoral, que contam com condições melhoradas. Essas escolas, muitas vezes privadas, podem até contar com o inovador cheque de ensino, que dá aos Encarregados de Educação a liberdade de escolha.
As escolas públicas contam com uma gestão mais criativa e inovadora, definida pelas peculiaridades dos municípios, e com métodos eficientes da múltipla colocação de professores, pelo que vão ser preferidas pelos pais. É que Portugal não é a Grécia, diz-se, e também não são os Estados Unidos da América, país onde são raras as escolas públicas que sobreviveram ao cheque de ensino.
Colocar Portugal na vanguarda, é o maior desígnio nacional. O secretário de estado que tutela laboratórios do Estado diz que a investigação científica não pode ser paga com o dinheiro dos contribuintes, podendo apenas ser feita por universidades e por privados. O Estado só regula e fiscaliza. O Estado tem de sair da frente dos negócios. O Estado só deve intervir na economia quando os banqueiros fazem asneira colossal. E quando há bancos para resgatar. O Estado é mau gestor de empresas públicas que dão lucro, porque essas empresas podiam dar mais lucro. O Estado tem de pagar o que deve e, para isso, deve combater a fuga ao fisco e sortear automóveis.
A nova ideologia está aí, e encontrou em Portugal um fecundo tubo de ensaio, até porque há que ir além da Troika. Ou, nas palavras de Camões, mais do que prometia a força humana. E nada se conseguiu sem a determinação para cortar nas gorduras. Esta admirável coragem política é partilhada por outros partidos que subscrevem, ou que não contestam as reformas. Finalmente o país está mais meritocrático, e os melhores das empresas têm condições para vingar, com um peso mais reduzido dos impostos e dos salários.
Mesmo com a redução do ministério da Cultura, o país está mais criativo e inovador. E a cultura lusitana saiu revigorada. O Fado é Património Imaterial da Humanidade e o Benfica jogou mais que uma vez em finais europeias. Celebremos.
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