Recentemente tem-se assistido à proliferação de novas e misteriosas fundações e clubes que organizam eventos onde constam as mais influentes figuras públicas. Alguns destes think-tanks são meticulosamente difundidos nos média, tendo até direito a reportagens especiais que pululam no espaço informativo.
Estas distintas organizações, criadoras e divulgadoras do mais elevado conhecimento multidisciplinar, pretendem esclarecer a opinião pública, moderar o debate cívico e criar consensos. E fazem-no de forma ostensivamente livre. Como instituições privadas, estão livres das restrições e do controlo dos organismos do Estado e, apesar da capacidade de formar opinião, estão à margem das leis que regem a comunicação social.
As fundações privadas afiguram-se, portanto, como uma quinta forma de poder, depois do poder tripartido do Estado e do poder da comunicação social. O conhecimento criado e divulgado compromete-se a exercer uma suave influência nos agentes políticos e económicos. Influencia, por um lado, a opinião pública, na medida em que promove o debate e o esclarecimento da população. Por outro lado, a excelência da produção intelectual perfila-se, a par das empresas de consultoria e dos estudos encomendados, como uma fonte de know-how necessário nas decisões políticas.
Este aumento da influência ocorre à medida que o Estado fica debilitado nas suas competências. Tendo o Estado de gerir a sua insaciável dívida, procede-se ao desmantelamento dos organismos que fazem investigação e à diminuição dos quadros de investigação. A produção intelectual fica cada vez mais comprometida. Talvez por essa razão, sucedem-se os académicos que trocam universidades públicas, sujeitas a cortes orçamentais, engrossando os quadros de fundações. Simultaneamente, alarga-se o nível de serviço público fornecido por estas instituições privadas, como demonstra a disponibilização online de dados estatísticos seleccionados, algumas das quais são fornecidas pelo Instituto Nacional de Estatística, que são apresentados de forma livre e pedagógica para todos os cidadãos.
O aparecimento destes novos organismos defensores da liberdade é parte quintissencial da estratégia de grandes grupos económicos. Atente-se ao exemplo de um grupo de distribuição que, estando atrás na corrida pela detenção dos média, e faltando-lhe um jornal de referência, assume uma estratégia diferente. É aliás nesse sentido que os temas abordados em ensaios e conferências dão, por vezes, pistas sobre as decisões políticas num médio e longo prazo.
Imagine-se um supermercado onde se vendem livros fazedores de opinião, a um preço irrisório, várias vezes mais baixo que os simples manuais escolares. Estes livros abordam os mais variados temas, alguns deles até bastante cândidos, como um retrato do património arquitectónico negligenciado e abandonado no nosso país. Outros livros, no entanto, merecem outro tipo de atenção. Um deles, que versa sobre a evolução da classe média, questiona o abuso da expressão para fins políticos, uma vez que esta não existe como classe social. O volume sobre políticas laborais assume peremptoriamente que não existe risco de aumento dos despedimentos pela liberalizaçãoo do mercado.
Outros volumes merecem igualmente a atenção. Aquele que aborda a gestão florestal encerra o “debate” referindo a inevitabilidade de discutir a liberalização da plantação do eucalipto. O livro referente às Parcerias Privado-Públicas esquece-se da natureza ideológica que os legitima e refere, em jeito de conclusão, que não pode haver preconceitos relativamente a estes modelos de gestão do Estado, podendo haver PPP’s bem feitas. O mesmo livro acrescenta que, a nível internacional, poderá mesmo haver PPP’s em novos sectores, tais como o da Defesa. Talvez no futuro nos possamos debater com mercenários e exércitos privados.
Talvez as compras num supermercado contribuam para o pensamento livre. Mas será que a liberdade de pensamento varia consoante a(s) fonte(s) de financiamento?
Estas distintas organizações, criadoras e divulgadoras do mais elevado conhecimento multidisciplinar, pretendem esclarecer a opinião pública, moderar o debate cívico e criar consensos. E fazem-no de forma ostensivamente livre. Como instituições privadas, estão livres das restrições e do controlo dos organismos do Estado e, apesar da capacidade de formar opinião, estão à margem das leis que regem a comunicação social.
As fundações privadas afiguram-se, portanto, como uma quinta forma de poder, depois do poder tripartido do Estado e do poder da comunicação social. O conhecimento criado e divulgado compromete-se a exercer uma suave influência nos agentes políticos e económicos. Influencia, por um lado, a opinião pública, na medida em que promove o debate e o esclarecimento da população. Por outro lado, a excelência da produção intelectual perfila-se, a par das empresas de consultoria e dos estudos encomendados, como uma fonte de know-how necessário nas decisões políticas.
Este aumento da influência ocorre à medida que o Estado fica debilitado nas suas competências. Tendo o Estado de gerir a sua insaciável dívida, procede-se ao desmantelamento dos organismos que fazem investigação e à diminuição dos quadros de investigação. A produção intelectual fica cada vez mais comprometida. Talvez por essa razão, sucedem-se os académicos que trocam universidades públicas, sujeitas a cortes orçamentais, engrossando os quadros de fundações. Simultaneamente, alarga-se o nível de serviço público fornecido por estas instituições privadas, como demonstra a disponibilização online de dados estatísticos seleccionados, algumas das quais são fornecidas pelo Instituto Nacional de Estatística, que são apresentados de forma livre e pedagógica para todos os cidadãos.
O aparecimento destes novos organismos defensores da liberdade é parte quintissencial da estratégia de grandes grupos económicos. Atente-se ao exemplo de um grupo de distribuição que, estando atrás na corrida pela detenção dos média, e faltando-lhe um jornal de referência, assume uma estratégia diferente. É aliás nesse sentido que os temas abordados em ensaios e conferências dão, por vezes, pistas sobre as decisões políticas num médio e longo prazo.
Imagine-se um supermercado onde se vendem livros fazedores de opinião, a um preço irrisório, várias vezes mais baixo que os simples manuais escolares. Estes livros abordam os mais variados temas, alguns deles até bastante cândidos, como um retrato do património arquitectónico negligenciado e abandonado no nosso país. Outros livros, no entanto, merecem outro tipo de atenção. Um deles, que versa sobre a evolução da classe média, questiona o abuso da expressão para fins políticos, uma vez que esta não existe como classe social. O volume sobre políticas laborais assume peremptoriamente que não existe risco de aumento dos despedimentos pela liberalizaçãoo do mercado.
Outros volumes merecem igualmente a atenção. Aquele que aborda a gestão florestal encerra o “debate” referindo a inevitabilidade de discutir a liberalização da plantação do eucalipto. O livro referente às Parcerias Privado-Públicas esquece-se da natureza ideológica que os legitima e refere, em jeito de conclusão, que não pode haver preconceitos relativamente a estes modelos de gestão do Estado, podendo haver PPP’s bem feitas. O mesmo livro acrescenta que, a nível internacional, poderá mesmo haver PPP’s em novos sectores, tais como o da Defesa. Talvez no futuro nos possamos debater com mercenários e exércitos privados.
Talvez as compras num supermercado contribuam para o pensamento livre. Mas será que a liberdade de pensamento varia consoante a(s) fonte(s) de financiamento?
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